Clínica Oftalmológica em Sinop - Consultas com Oftalmologistas e Otorrinolaringologistas.
Se você tem um filho que usa óculos e nota o grau aumentar a cada consulta, sabe bem o quanto aquele número novo pesa. Até onde vai chegar? Tem algo que pode ser feito além de trocar as lentes todo ano? A resposta é sim — e existe ciência sólida por trás disso.
Neste post vamos conversar sobre as lentes especialmente desenvolvidas para frear o avanço da miopia em crianças, explicar como elas funcionam de verdade e por que o momento de agir importa mais do que muita família imagina.
Não é exagero: a Organização Mundial da Saúde projeta que até 2050 cerca de 50% da população mundial poderá ser míope. A OMS já classifica a miopia como uma epidemia do século XXI.
O cenário se acelerou nos últimos anos. O aumento do tempo de tela — smartphones, tablets, computadores — combinado com menos horas de atividade ao ar livre e exposição à luz natural tem contribuído diretamente para esse avanço, especialmente entre crianças e adolescentes. Durante a pandemia de Covid-19, um estudo do Conselho Brasileiro de Oftalmologia mostrou que 7 em cada 10 médicos identificaram progressão da miopia em seus pacientes infantis, justamente nesse período de isolamento e telas em excesso.
Miopia não é apenas uma questão de enxergar mal de longe. Ela acontece porque o globo ocular se alonga além do que deveria — e quanto maior o grau, mais esse alongamento avança, esticando e fragilizando a retina.
Miopias elevadas estão associadas a condições sérias: glaucoma, catarata precoce, descolamento de retina e degeneração macular — todas com potencial de comprometer gravemente a visão. A partir de 5,5 graus já se fala em alta miopia, com risco real de complicações.
Pense no seguinte: uma criança que começa com 2 graus e não recebe nenhuma intervenção pode chegar aos 20 anos com 8 ou 10 graus. Já se esse grau for controlado durante o período de crescimento do olho, ela pode chegar à fase adulta com um grau muito menor — e ainda ser candidata a uma cirurgia refrativa para zerar o grau no futuro. A diferença entre intervir agora e esperar pode ser enorme décadas à frente.
Fabricantes como Essilor, Zeiss e Hoya desenvolveram lentes de óculos projetadas especificamente para crianças com miopia progressiva. Visualmente, são idênticas a qualquer óculos comum — ninguém ao lado percebe nada diferente. O que muda está na engenharia interna da lente.
A tecnologia central é chamada de desfoque periférico assimétrico. Funciona assim:
Em termos simples, é como dizer ao olho:
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